Novo estudo de células-tronco pode revolucionar tratamentos de doenças

Sabryna Esmeraldo
Sabryna Esmeraldo

Um recente estudo realizado por um grupo de pesquisadores australianos, e publicado na renomada revista Nature, pode revolucionar a medicina no que condiz a terapias regenerativas. A pesquisa propõe uma abordagem inovadora capaz de "apagar a memória" de células-tronco.

O objetivo é reativar seu potencial de se transformarem em qualquer outro tipo de célula necessária. Essa possibilidade de uma "reprogramação" mais precisa pode revolucionar a medicina regenerativa, afetando tratamentos de doenças neurodegenerativas, diabetes, entre outras.

Vencendo a barreira da memória epigenética

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Memória epigenética atrapalha a "reprogramação" de células-tronco (Imagem: Shutterstock / Lightspring)

Não é de hoje que a medicina já estuda as células-tronco pluripotentes induzidas (iPS). As iPS são células-tronco de um organismo adulto que foram induzidas a recuperar a característica embrionária de pluripotência, ou seja, a capacidade de se tornar qualquer outra célula.

Contudo, os pesquisadores têm se deparado constantemente com um obstáculo após o processo de "reprogramação celular": a memória epigenética. Em termos leigos, isso significa que, mesmo após ser reprogramada para voltar a ser uma célula com potencial de se tornar qualquer outra, a célula reprogramada "lembra o caminho que tomou" para se tornar a célula adulta que era antes e refaz esse caminho.

De forma mais técnica, "epigenética" é tudo aquilo "além da genética". Todas as nossas células possuem o mesmo DNA subjacente. As mudanças que ocorrem em cada célula, além de sua genética, e a transformam em outra célula é o epigenoma.

Como o método inovador pode resolver isso

A inovação do estudo australiano está justamente em um método revolucionário que deve impedir que a memória epigenética anule o processo de reprogramação da célula-tronco. A ideia é imitar a redefinição epigenética natural, que é realizada ainda no desenvolvimento embrionário.

Após analisar cada processo de como o epigenoma se transforma em células adultas que são reprogramadas em células-tronco pluripotentes induzidas, os cientistas criaram uma nova etapa nesse processo de reprogramação. A nova etapa "imita" a "reinicialização natural" e apaga essa memória epigenética, impedindo que a célula retorne a ser a aquela que tinha se tornado no organismo adulto. A ideia é que ela tenha potencial para se tornar outro tipo de célula necessária para diferentes tratamentos.

A possibilidade de vencer a barreira da memória epigenética abre muitas novas portas para a medicina regenerativa. Com um processo de reprogramação das células com mais chances de ser bem sucedido, a ciência pode usar o potencial das células-tronco para estudar novos e mais eficientes tratamentos para diferentes doenças no futuro.

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Sabryna Esmeraldo
Sabryna Esmeraldo
Jornalista há mais de 10 anos, a Sabryna se especializou produzindo matérias e tutoriais sobre aplicativos e tecnologia. Consumidora ávida de streamings e redes sociais, adora descobrir as novidades deste mundo.
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