Aumento de 400% nos ciberataques assusta provedores de internet no Brasil

Adriano Camargo
Adriano Camargo

Os ataques de negação de serviço (DDoS) têm se tornado uma grande fonte de preocupação para os provedores de internet brasileiros, especialmente após o conflito armado entre Israel e o Hamas. Em 2020, 26% das empresas do setor já haviam relatado ter enfrentado ameaças desse tipo, conforme dados da pesquisa "TIC Provedores" do Cetic.br - Centro Regional de Estudos.

Embora não haja estudos mais recentes, especialistas e entidades do setor indicam um crescimento exponencial desses casos em 2023.

O Scrubbing Center da Sencinet, empresa de segurança, registrou um aumento de 400% no volume de ataques nos últimos seis meses, antes mesmo dos eventos relacionados ao conflito armado. Um exemplo citado foi um ataque DDoS massivo de 2.5 Terabytes, ocorrido na segunda quinzena de outubro, combinando UDP FLOOD e DNS FLOOD.

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Brasil recebe cada vez mais ciberataques (Imagem: freepik)

Grande parte desses ataques teve origem em países como EUA e Alemanha, com múltiplas ondas de ataques, cada uma variando de 30Gb a 40Gb. Felizmente, as ameaças foram bloqueadas, sem intervenção humana significativa, graças ao uso de Inteligência Artificial. No entanto, a dimensão desse evento destaca o desafio potencial que os ISPs enfrentarão nos próximos meses.

Brasil vira alvo de ataques

A crescente preocupação com o aumento do volume de ataques se justifica diante de notícias como a declaração do grupo de ciberativistas IRoX Team, que anunciou uma guerra cibernética contra Israel e seus apoiadores. O cenário atual ressalta a importância da segurança digital para garantir a estabilidade dos serviços de internet no Brasil.

Neste contexto, eles anunciaram que o Brasil passaria a ser parte da lista de países atacados a partir do dia 20 de outubro e, segundo entidades do segmento, de fato os provedores brasileiros passaram a sofrer uma incidência maior de ataques desde então.

A Associação dos Provedores de Internet – InternetSul, por exemplo, disse que a indisponibilidade depois desta data chegou a gerar períodos de mais de duas horas de ausência de sinal para usuários de diversos provedores no Rio Grande do Sul.

Já a própria Abrint (Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações) veio a público no final de outubro para fazer um alerta sobre o elevado número de ataques DDoS registrados nas redes dos provedores regionais de internet no Brasil.

Na ocasião, a entidade disse que os ataques cibernéticos tinham se multiplicado ao longo da última quinzena de outubro, com inúmeros relatos de ataques recorrentes em todo o país.

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Provedores precisam se proteger cada vez mais (Imagem: freepik)

Com isso, cresce a necessidade dos ISPs se prepararem para responder a estes ataques com tecnologias que conseguem identificar as investidas antes delas causarem qualquer tipo de prejuízo às operações.

De acordo com um estudo publicado pela Radware em novembro, o tempo de inatividade devido a um ataque DDoS de aplicativo bem-sucedido custa às organizações uma média de US$ 6.130 por minuto.

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Adriano Camargo
Adriano Camargo
Jornalista especializado em tecnologia há cerca de 20 anos, escreve textos, matérias, artigos, colunas e reviews e tem experiência na cobertura de alguns dos maiores eventos de tech do mundo, como BGS, CES, Computex, E3 e IFA.
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